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Olho gordo

Contra a inveja que vem de fora existe oração, amuleto, patuá. Mas o que pode nos defender da inveja que surge em nós?

Não há quem desconheça esse sentimento rastejante de desprezo pelas conquistas do outro, de intolerância aos atributos alheios, de mágoa por quem recebeu mais atenção, mais beleza, mais oportunidades.

O invejoso é alguém que acredita que a vida lhe negou algo. Quanto mais frágil, mais ameaçado e, por isso, mais agressivo e vingativo.

Claro que esse desconforto tem graus variados, mas inveja boa não existe. Ela é dolorida para quem sente, porque vem de uma rejeição própria, uma revolta contra as limitações pessoais.

Aquilo que falta em nós é atribuído ao invejado, numa crença enganada de que ele é portador de algo especial e único. Há um engrandecimento do outro para justificar nossa inferioridade, gerando fantasias de que o rival tem mais, ama mais, trabalha menos…

O invejoso pode até fazer uma inversão e passar a se sentir muito invejável. Fica preocupado com a cobiça que pode despertar, acha-se perseguido, desconfia dos afetos. Isso porque projeta nos outros o ressentimento que tem de si.

A origem dessa falta de valor está, segundo a psicanálise, nas primeiras experiências da infância. Mas ninguém está condenado a passar o resto da vida atacando por causa dessa ferida.

Um bom caminho para combater o olho gordo é emagrecer o olhar. Ou seja, ver os outros e nós mesmos com mais realismo, de uma forma menos idealizada. Ninguém é tão cheio de valores, que não tenha carências de algum tipo para lidar. Somos diferentes, com desafios diferentes. Nunca estamos à altura das expectativas de perfeição.

Agora, se você não se reconhece em nada disso, se acha que é sempre alvo e nunca nascente da inveja, então anote esta simpatia:

– Jogue fora os objetos quebrados e as comparações injustas.

– Coloque um galho de arruda atrás da orelha e suas virtudes na memória.

– Espalhe sal grosso pela casa e experiências ricas pela vida.

– Benza-se três vezes e aceite-se mil.

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